
Muitos pesquisadores que estudam o relacionamento afirmam que casais tentam desvendar os complexos mecanismos que regem o amor e entendem, cada vez melhor, porque algumas uniões duram décadas, enquanto outras duram pouco tempo, condenadas ao fracasso, um pequeno apartamento em Seattle, nos Estados Unidos, um casal está à mesa, tomando o café da manhã, ambos têm cerca de 40 anos, ela prepara uma torrada para si e olha pela janela, ele folheia o jornal, os dois usam microfones nas camisas e sensores no corpo, nas paredes do apartamento foram instaladas três câmeras de vídeo, o casal faz seu desjejum no laboratório do amor, do professor de Psicologia,suas instalações estão localizadas no campus da universidade, e dispõem de cozinha, copa, um banheiro confortável e um quarto, Cientistas, técnicos e estudantes acompanham em monitores todos os gestos e movimentos, através de alto-falantes, os pesquisadores escutam cada palavra trocada entre os dois, enquanto os sensores registram constantemente suas frequências cardíacas e a resistência de sua pele, transmissores de sinais de estresse ou descontração, Gottman observa casais desse modo há mais de 20 anos, e alguns milhares já serviram como casos de referência, permitindo que sua vida a dois fosse investigada, no laboratório eles devem se comportar como se estivessem em casa, somente no banheiro e na cama eles não são observados, a mímica dos voluntários é desvendada em questão de segundos a raiva, por exemplo, se reflete nas sobrancelhas, que descem simultaneamente, na pálpebra inferior tensionada e nos lábios que se comprimem, o desprezo repuxa o canto esquerdo da boca para cima, em momentos de tristeza, a testa se franze entre as sobrancelhas, essas manifestações não verbais são consideradas particularmente reveladoras, porque as pessoas praticamente não têm como controlá-las, ao todo, os pesquisadores de Seattle conceituam dez complexos sentimentais negativos e cinco positivos além da raiva, do desprezo e da tristeza que mostra o poder, atitudes defensivas, medo, dominância, repulsa ou alheamento, queixas e alicerces, como concordância, humor, alegria e dedicação entre o casal.