
Preconceito contra cor: Nos idos de 66/67, em Paris, era comum ver-se negros africanos acompanhados de belas louras nórdicas ou de outras partes da Europa. Não existia o menor preconceito entre esses casais nem em relação a eles. Para os brasileiros, porém, era algo inédito e escandaloso; faziam-se piadas insinuando que o sucesso dos negros se devia ao fato de que eram muito bem dotados anatomicamente para o sexo. Uma visão preconceituosa típica, que procurava desqualificar o negro e que escondia, às vezes, uma boa dose de inveja.
Os negros e asiáticos que iam estudar na Europa, no entanto, talvez por pertencerem a famílias economicamente privilegiadas em seus países de origem, possuiam uma cultura igual ou superior a de qualquer estudante branco, uma vez que haviam frequentado boas escolas, indo finalmente aprimorar seus estudos na Europa ou nos Estados Unidos. Não havia nenhuma desigualdade educacional que dificultasse uma estreita convivência com eles.
Bem, estamos agora diante de novos fatos. As coisas começam a melhorar. Mudando-se os hábitos (mesmo que às custas de leis), fica mais fácil mudar o modo de pensar. Da mesma forma que a infância pode deixar marcas difíceis de serem superadas, assim sucede com os fatos sociais. O movimento cultural procura reabilitar a imagem da nossa raça miscigenada: os direitos são iguais para todos. Políticos, artistas e, aos poucos, o povo, em geral, se orgulham de falar de algum sangue negro em suas veias.